sábado, 31 de julho de 2010

DIA INTERNACIONAL DO ORGASMO



Porque gozar é preciso...



sexta-feira, 30 de julho de 2010

PARAFILIAS E FETICHISMOS: ASFIXIA



ASFIXIA SEXUAL 

(BREATHPLAY)






Se você leu o artigo anterior, percebeu que a mulher goza de forma não apenas diferente, mas que seu orgasmo tem um tempo maior de duração.


Parece que daí nasce a necessidade de também o homem ter seu gozo prolongado. E uma das formas de se conseguir isso é pela ASFIXIA SEXUAL.






Uma prática perigosa, é preciso deixar muito claro.


Em junho de 2009, o ator David Carradine foi encontrado morto, no quarto de um hotel em Bangcoc, Tailândia, com uma corda amarrada no pescoço. Causa provável da morte: autoasfixia erótica.

O filme IMPÉRIO DOS SENTIDOS (aqui mesmo já comentado) retrata o caso verdadeiro da prostituta Sada Abe que, nos anos trinta, no Japão, matou o seu amante por asfixia erótica e depois cortou-lhe o pênis.






(Filme: Império dos Sentidos)




Fico sabendo que, em Portugal (sem piada, por favor!), morrem cinco a dez pessoas por ano, vítimas da mesma prática. E há, na história, inúmeros casos fatais de pessoas, famosas ou não, que se descuidaram e acabaram não resistindo à brincadeira.




O que é ASFIXIA ERÓTICA?





É a privação total ou parcial de oxigênio ao cérebro, através do controle da respiração para aumentar o prazer no orgasmo.

Existem várias formas de se conseguir isso:
  • Autoasfixia – independente da variação, é quando a própria pessoa aplica em si o ato.
  • Afogamento – mergulhar a cabeça na água.
  • Estrangulamento – mãos ou braços estrangulando o pescoço.
  • Hand Smothering – mãos tampando boca e nariz.
  • Breast Smothering – asfixiar com os seios.
  • Máscara de Gás – uso de máscaras para conter a passagem de oxigênio.
  • Face Sitting – asfixiar sentando na face.
  • Garroteamento – uso de cordas, lenços e outros em volta do pescoço para asfixiar.
  • Sacos Plásticos – uso de saco ou filme plástico na cabeça para conter a passagem de oxigênio.
  • Trampling – asfixiar pisoteando, seja pela compressão no tórax ou pés no pescoço.


(Harukawa)


Repetimos: é uma prática bastante perigosa, que deve levar seus seguidores a tomarem excessivo cuidado.



Do site A VIDA SECRETA, retirei esta lista de cuidados e riscos:




  • Ter consciência que há risco de morte. É claro que atravessar a rua também é arriscado e nem por isso a gente deixa de fazê-lo, no entanto, os riscos com a prática são reais e não apenas “terrorismo” da minha parte.
  • Se fizer, nunca faça sozinho. Os casos de morte por autoasfixia são mais numerosos do que por estrangulamento.
  • Confiar no outro durante a prática é primordial, crie um código (algo como dois tapas na cama ou no braço, talvez), mas lembre-se de que, durante o ato, pode haver certa desorientação, portanto, estar com alguém que seja extremamente consciente é essencial.
  • Evitar estar alcoolizado, asfixiador e asfixiado. O álcool muda os parâmetros de julgamento e pode colocar em risco o prazer e a vida.


  • Estar preferencialmente sentado ou recostado é mais seguro. Dessa maneira, o asfixiado pode pousar a mão no braço do asfixiador e pode ser um bom sinalizador se o braço pender com um possível desmaio.
  • Se estiver asfixiando por trás (chave de braço em volta do pescoço), uma boa dica é estar diante do espelho. Assim é possível observar melhor as expressões e reações do outro.
  • No caso de desmaio, soltar imediatamente para liberar a circulação sanguínea.
  • Um tapa no rosto ajuda também na reativação da circulação sanguínea.
  • Se a liberação do estrangulamento nem o tapa derem jeito, ligue imediatamente para a emergência e faça massagem toráxica. (Lembra que a primeira dica foi a de que há risco de morte? Pois é…)

Enfim, nada contra fazer de tudo (que não implique ofensa ao parceiro ou à parceira e que seja consensual) por um bom orgasmo. Mas, morrer por isso... acho que já é demais, não é?







terça-feira, 27 de julho de 2010

ORGASMO, O DA MULHER









Vou fazer um breve intervalo bem no meio da série de idiossincrasias sexuais (sem trocadilho), para falar do gozo feminino. Terá bastante a ver com o artigo seguinte, da mesma série, como irão ler aqueles que seguirem esse rastilho de pólvora que leva ao alumbramento, que é o orgasmo da mulher.



(A. não identificado)


Assunto controverso esse, desde o famoso Relatório Kinsey, que escancarou (epa!) a sexualidade e abriu portas (epa, epa!) para novos estudos e para, enfim, a liberação total do fato de que mulheres gozam, sim. E muito!




(A. não identificado)

Mas o gozo feminino é diferente do gozo do homem, claro. Podem até dizer que seja mais, digamos, incrementado. Isso, no entanto, é difícil de provar. Só se sabe que é diferente, como diz o artigo abaixo, que transcrevo do site GUIA DE MULHER:





É um pouco longo, mas também é mais longo o prazer feminino, como poderão constatar:









O clímax feminino vem em ondas; o masculino, em picos. Quanto mais rico o parceiro, maior a excitação da mulher. É possível ter 222 orgasmos múltiplos — e sem fingir! A seguir, descobertas incríveis sobre o seu prazer.







(Armand Rassfosse-1862-1934)



1. Sincronia perfeita


Um homem leva, em média, dez minutos para chegar lá. Já a mulher precisa do dobro de tempo... No entanto, o clímax masculino tende a ser mais curto do que o feminino, que pode durar de três a 15 segundos.



(A. não identificado)


2. Sentido profundo

A palavra orgasmo vem do grego orgasmós, que significa "inchar devido à umidade, ficar excitado ou ansioso".

3. Baba de moça

Pouquíssimas mulheres conseguem ejacular. Quando isso acontece, liberam menos de 5 mililitros (ou seja, 1 colher de chá) de fluido claro e doce.










(Autor desconhecido-sex.XVI)




4. Tiro orgástico



Em um torneio de masturbação na Dinamarca, a maior distância alcançada por uma ejaculação feminina foi de 3 metros.


5. Estatística da cama

Setenta por cento das mulheres só conseguem ir aos finalmentes com estimulação clitoriana.




(Barthel Beham-1548)



6.Sortudas



Apenas uma em cada dez mulheres tem o privilégio de experimentar orgasmos múltiplos. E quem tem não economiza. O recorde nessa arte foi registrado em 2009, de novo, na Dinamarca: 222 orgasmos seguidos!



(A. não identificado)


7. Tsunami de prazer

Pesquisas indicam que a excitação máxima dos bonitões é parecida com a feminina. A diferença é que a dele consiste em um único pico, enquanto a nossa vem em ondas que vão em direção ao abdômen. Especialistas acreditam que esse movimento ajuda a levar os espermatozoides aos óvulos. Na menstruação, as contrações viajam na direção oposta.



(Varenne)

8. Tempo inimigo

Quanto mais velha, mais curtos são seus orgasmos.


9. Desejo na cabeça

A cantora Lady Gaga garante ter orgasmos com o poder da mente. Verdade ou não, em uma coisa ela está certa: o prazer não ocorre no clitóris, mas no cérebro. Em teoria, seria possível até estimular as áreas cerebrais responsáveis pelo prazer como uma música, imagem, pílula ou até chip. Pena que ainda não inventaram esse brinquedo maravilhoso. Mas, mesmo que a ciência não tenha ido tão longe, a natureza nos deu a capacidade de chegar lá em sonhos. Eles criam uma ilusão de estimulação física tão poderosa que você atinge o ápice sem nem precisar ser tocada.






(Egon Shiele)


10. Caras e bocas



Já notou que é impossível controlar suas expressões faciais no momento do nirvana? Isso acontece porque as partes do cérebro responsáveis pelo prazer e pela dor são estimuladas ao mesmo tempo nessa situação.


(A. não identificado)

11. Não dói nada!

A propósito, quando está absorta no clímax, você fica bem menos sensível à dor. É por isso que só percebe o estrago que o tapete fez na sua pele bem depois de ter rolado horas a fio nele...



(Fendi)


12. Terapia relaxante



O orgasmo também faz a mulher desligar a área do cérebro responsável pelo medo e pela ansiedade. Por isso, uma sessão de sexo é a melhor resolução para uma briga daquelas.





(Jean Dubuffet)






13. Doce remédio



É oficial: chegar ao clímax faz bem à saúde. Os benefícios incluem aumento da longevidade, melhora no sistema imunológico, diminuição das chances de ter um câncer ou um ataque cardíaco.



14. Ginástica sexual

Um orgasmo queima apenas 2 ou 3 calorias. A boa notícia é que, durante uma "rapidinha", você gasta cerca de 50.







15. Prevenção sexy


Quanto mais um homem faz sexo, menores as chances de ter câncer de próstata. O que vocês dois estão esperando?!



16. Mon amour



Em francês, a expressão la petite mort, a pequena morte, é metáfora para o clímax. Ela também pode significar libertação espiritual ou transcendência.





(A. não identificado)


17. Efeito duradouro


O corpo feminino demora de 15 a 30 minutos para voltar ao ritmo normal depois de uma sessão de sexo. Já para os homens, a excitação acaba no minuto em que eles ganham a corrida... Isso explica muita coisa, certo?




(A. não identificado)



18. Estraga-prazeres



Cerca de 5% das pessoas no mundo são fisicamente incapazes de chegar ao orgasmo. Entretanto, o número de mulheres que não conseguem obtê-lo na relação sexual pode chegar a 20%.



(A. não identificado)



19. Atriz perfeita



Felizmente, o número de mulheres que fingem na cama vem caindo: agora são 15%. Será que você faz parte desse time? Pode parar! Seu amor vai ficar crente que está arrasando e nunca saber o que você curte de verdade.





(Mark Blanton)



20. Volta ao mundo em 80 orgasmos 



O que você diz quando está prestas a chegar lá? Para as portuguesas, a expressão mais usada é "Ai, que me vem!" As americanas gritam "I’m coming! I’m coming!" As francesas, "Je viens". As alemãs, "Ich kamme". As italianas, "Arriva, arriva". As espanholas, "Estoy corriendo". No Japão e em Israel, o mais normal é anunciar o fato depois que já aconteceu. Se diz "I tchatta yo" e "Ani gomeret", respectivamente.




(A. não identificado)




21. Satisfação interesseira

Quanto maior o saldo bancário dele, mais frequentes e intensos são os arroubos de prazer feminino. Isso quer dizer que o dinheiro automaticamente transforma qualquer macho em expert na cama? Na-na-ni-na-não. Pesquisadores ingleses explicam que um mecanismo evolutivo inconsciente faz com que as mulheres gostem mais de transar com homens capazes de sustentá-las e proteger os filhos.





(Rowlandson)

22. Diga-me como anda... 



E direi como você é na cama! Algumas características anatômicas que tornam o sexo mais gostoso podem ser identificadas por meio do seu caminhar. Passos largos e ligeiro rebolado, por exemplo, indicam que você tem mais flexibilidade para chegar lá.


(Paul-Émile Bécat-1534)


23. Músculo do sexo



Um estudo italiano indicou que andar de salto ajuda a relaxar e fortalecer os músculos da região pélvica. De acordo com a pesquisa, é preciso que o salto seja confortável e não ultrapasse 7 centímetros. Seu amor nunca mais vai reclamar quando você aparecer com um novo par...




(A. não identificado)








sexta-feira, 23 de julho de 2010

PARAFILIAS E FETICHISMOS: FIO TERRA




FIO-TERRA






Quando se fala em “fio-terra”, as pessoas (os homens, principalmente) encaram o assunto como tabu (“que é isso, cara! sou macho!”) ou com deboche (“coisa de gay”).


(Foto da internet s/indicação de autoria)

No entanto, há muitos homens que gostam, sim, da estimulação anal. Porque é disso que estamos falando: do prazer que certos homens têm, quando o/a parceiro/a introduz um ou mais dedos em seu ânus, durante o ato sexual.





(Foto da internet, sem indicação de autoria)




O corpo humano tem muitas zonas erógenas. E o ânus, naturalmente, é uma delas. Tanto para a mulher quanto para o homem. De acordo com especialistas, a região anal, quando tocada, traz grande carga de prazer para muitas pessoas. A parte externa do ânus humano concentra várias terminações nervosas: as carícias feitas ali podem provocar muitas sensações. A parte interna do ânus também produz essas sensações, principalmente porque, nos homens, ali é possível estimular a base interna do pênis, o duto ejaculatório e a próstata.



(A. não identificado)


Pode ser fonte de prazer, para muitos, essa estimulação. No entanto, deve ser praticada por casais que tenham plena confiança um no outro e com todo o cuidado, para não ser desconfortável: unhas aparadas ou, de preferência, com o uso de camisinha ou luvas; lubrificação, quando necessário e, principalmente, higiene. Cumpre notar que muitas mulheres, ao estimularem a região anal de seu parceiro ou, mesmo, praticar o fio-terra, sentem muito prazer com isso. Não à toa que muitas apreciam a bunda masculina tanto quanto os homens têm atração pelas bundas femininas.



Gostar de fio-terra não define o homem como gay. Ser homossexual é sentir atração por pessoa de mesmo sexo. Se o homem gosta que sua parceira estimule sua região anal, mas não sente atração por outros homens, isso não é homossexualidade, apenas um prazer alternativo, uma idiossincrasia sexual, que nada tem de doentio ou de tabu, mesmo que a maioria dos homens não gostem de falar desse assunto.


Enfim, se você é homem e gosta de um “fio-terra”, e isso é compartilhado com sua parceira, nem é preciso ficar falando disso por aí, para obter prazer, muito prazer, sem nenhum preconceito ou preocupação de que tal prática possa torná-lo homossexual.





(Foto da internet s/indicação de autoria)



sexta-feira, 16 de julho de 2010

PARAFILIAS E FETICHISMOS: GLORY HOLE







Há pessoas diferentes, neste mundo. Chamamo-las, muitas vezes, de marginais. Não no sentido grosseiro do termo: meliante, bandido, assaltante. Mas, no sentido de que vivem à margem de alguns comportamentos considerados “normais”. Verdade, mesmo? Estou com Caetano e não abro: “de perto ninguém é normal”. Ou seja, todos nós temos nossas pequenas diferenças, nossas idiossincrasias!




IDIOSSINCRASIA, do grego idiossygkrasía, s.f. 1. Disposição do temperamento do indivíduo, que o faz reagir, de maneira muito pessoal, à ação dos agentes externos. 2. Maneira de ver, sentir, reagir, própria de cada pessoa. 




Pois, é: vamos falar de IDIOSSINCRASIAS SEXUAIS, o que muitos denominam parafilias ou até mesmo perversões. Distingamos bem: há, sim, perversões, que são comportamentos doentios, como a pedofilia, ou o incesto, ou o estupro. Não é disso que vamos tratar, mas sim daquele sexo – estranho para muitos – que não causa nenhum dano a outrem, se consentido, ou é parte de um comportamento solitário.




GLORY HOLE




No filme IRINA PALM(*), Marianne Faithfull faz uma senhora acima de qualquer suspeita que, por precisar de dinheiro para o tratamento do neto, acaba por encontrar um emprego absolutamente fora dos padrões: numa casa de prostituição, ela é encarregada de masturbar os clientes que, numa cabine, colocam o pênis num buraco. Ela não vê os homens nem estes a veem. O engraçado do filme é que ela tem “mãos de veludo”, o que lhe granjeia grande sucesso com a clientela.


Pois, é: glory hole, ou “buraco glorioso”, consiste em buracos na parede para observar ou para fazer sexo com a pessoa que está do outro lado. Embora tenha grande sucesso entre as comunidades gays, tem sido adotado por muitos heteressexuais, tanto homens quanto mulheres.


De qualquer forma, é uma prazer idiossincrático este, tanto o fato de colocar o pênis num buraco, quanto o fato de masturbar ou chupar um pênis de um desconhecido, através de um buraco na parede. 






(*) Ficha técnica:



Filme: Irina Palm



Título original: (Irina Palm)

Lançamento: 2007 (Bélgica) (França) (Alemanha) (Luxemburgo) (Inglaterra)
Direção: Sam Garbarski
Atores: Marianne Faithfull , Miki Manojlovic , Kevin Bishop , Siobhan Hewlett , Dorka Gryllus
Duração: 103 min
Gênero: drama


terça-feira, 13 de julho de 2010

PALAVRAS... PALAVRAS...





(A. não identificado)

Não há dúvida de que a língua é um importante órgão sexual. Não só a língua-língua, que lambe, que aprecia o sabor, que faz gozar, como no pequeno conto do post anterior. Também a língua-idioma é importante no sexo.




(Autor não identificado)



Precisamos dar nomes aos nossos órgãos e a nossos atos, como forma de processar em nosso cérebro a relação “coisa” e “ato”, a fim de exacerbar a libido. Excita-nos ouvir o/a parceiro/a falando ou narrando ou pedindo coisas que incendeiem nossa imaginação.


(Brebis)




Quando a mulher diz ao companheiro: “me come”, “mete mais”, “gostoso” (ou outras “obscenidades”) – a transformação do prazer em palavras excita o homem e leva-o mais facilmente à fantasia e ao gozo. Da mesma forma, quando o homem diz à mulher coisas como “gosta do meu pau?”, “goza, vai, goza” (ou outras “obscenidades”) – não está ele em busca apenas de seu reconhecimento como macho, mas, através das palavras, despertando sentimentos do mundo onírico e sensual da companheira, o que a leva também ao orgasmo.






(A. não identificado)



Então, gozar não é fruto apenas do ato mecânico, mas também da fantasia que desperta nossa libido através de palavras ou, da falta delas, da nossa imaginação, que é feita de memórias sensoriais e de... outras palavras, que estão em nossa memória. Complicado isso? Sei lá. Só sei que a palavra é tão importante no sexo, como o próprio ato em si. E que isso tem a ver com nossa imaginação.



(A. não identificado)


Mas, o que eu queria mesmo era comentar algo bastante engraçado que encontrei por aí, na velha e boa rede de computadores.



Um parêntese, antes. Uma vez, num discurso (diz a lenda) que Rui Barbosa usou mais de sessenta sinônimos da palavra “prostituta”. Se consultarmos um dicionário, realmente tem muitas, muitas palavras, a designação da velha profissão. E sempre pensei que seria ela a campeã de sinônimos na língua portuguesa.



Ledo engano.








A “coisa” (desculpe o termo) que mais tem designações em português é, sem dúvida, o órgão genital feminino. Ou seja, a vagina, a boceta, a vulva. São centenas de palavras que o povo usa para nomear o maior objeto de desejo do macho. Desde palavras simples e aparentemente descoladas ou não-eróticas, como “bela”, “ursa”, “vão”, “segredinho”, “panela-rachada” (expressão usada – vejam só! – pelo patriarca José Bonifácio para sua filha recém-nascida), até termos estranhos como “prexeca”, “popoca”, “inhanha”. Há termos depreciativos, como “cheiro-de-bacalhau” ou carinhosos como “toninha”. Enfim, há uma longa lista de termos e expressões curiosas e para todos os gostos – mais ou nenos 360 palavras!








(Rowlandson)



Dentro de minhas limitações, procurei pesquisar em outras línguas. E o fenômeno se repete em maior grau, como em inglês, que tem mais expressões ainda do que o nossa flor do Lácio – mais de 400! – ou em menor grau, como em francês, com cerca de 100 e em espanhol.



(Rowlandson)


Espanhol. Tem um problema a língua espanhola nesse quesito. Primeiro, a diversidade de povos que falam o espanhol, principalmente na América Latina. Costumamos ver nossos hermanos como uma mancha única, mas isso é miopia. Países pequenos como Cuba, Jamaica, Honduras têm culturas fortes e muito diferentes de Chile, Argentina ou México, que, por sua vez, também são muito diferentes entre si. E essas diferenças, claro, repercutem no espanhol falado em cada um dos países latinos, bastante diferente do espanhol da Espanha. Assim, pude verificar que expressões usadas num país não têm nenhum significado em outro ou em outros, principalmente em relação a algo muito regional ou idiossincrático como a denominação dos órgãos sexuais. Assim, o popular “coño” (boceta) é mais ou menos comum a todos, mas fora este são pouquíssimos os termos de uso comum para designar a vagina, na linguagem do povo. Isso justifcaria, em parte, a pouca quantidade de sinônimos em espanhol que encontrei para a vulva, vagina, coño.



(Rowlandson)

Uma pergunta: por que um povo que tem toda uma poesia em relação ao gênero (masculino/feminino), como dar uma carga emotiva a “el mar” (masculino) e designá-lo conotativamente como “la mar” (feminino), usa um termo masculino – coño – para o que a mulher tem mais de feminino? Mistérios da linguagem... e da cultura.






(Rowlandson)


Bem, fechemos o parêntese e vamos a uma notícia que encontrei num site espanhol



(A. não identificado)



A INDÚSTRIA PORNÔ BUSCA NOVAS METÁFORAS PARA A VAGINA.


Diz mais essa reportagem:



Acabaram-se as palavras para falar da boceta, dizem os especialistas: o presidente da Vivid Entertainment (multi da indústria pornô) declara que nossa linguagem está ficando monótona e previsível, ou seja, estão faltando palavras para serem usadas durante o ato sexual para se referir à vagina.”





(Schiele)



Reclama o tal produtor (eis o nome do cara: Steve Hirsh) que são muito poucas as palavras para falar da “boceta” e que é necessário fomentar uma renovação na narrativa do pornô. Para isso, pede ajuda a filólogos e poetas. Ou seja, que se inventem novos termos, novas palavras para serem usadas nos filmes e nas narrativas eróticas!





(Songoku)



Termina a reportagem dizendo que o poeta espanhol Augustín Fernández Mallo, “que já percebera o deserto metafórico da indústria pornô mundial, propõe a palavra “fuagrás” como sinônimo de boceta”.

Fuagrás? – pergunto eu. Chamar el coño, a boceta, the pussy, la chatte de “fuagrás”? Será que estou delirando ao descobrir que isso sigifica “foie-gras”, ou seja, pasta de fígado de ganso!? (Horrível será dizer que, tem sentido, sim, chamar el coño de fuagrás, porque, afinal, no sexo como na produção de foie-gras, o ganso é afogado.



(A. não identificado)



Bem, pode-se gostar muito de patê de fígado de ganso, mas acho que se gosta muito mais de boceta ou seja lá que nome tenha em qualquer língua. Só concordo com o tal poeta quando ele diz que “deveria haver tantos sinônimos da palavra ‘boceta’/’coño’ etc. quantas bocetas há no mundo”.





(Mark Blanton)



Não se chega a tanto, mas que há, sim, uma quantidade muito grande de termos, expressões e gírias para o nome sagrado da boceta, em todas as línguas do mundo, disso temos a mais absoluta certeza! Se há crise na indústria pornô, não é de falta de palavras, como diz o tal Steve Hirsh. Ele está transferindo para a língua (com todos os trocadilhos possíveis) uma situação que é dos produtores pornôs: falta de imaginação!








(Obolenski)